lunes, 30 de marzo de 2009

jueves, 26 de marzo de 2009

jueves, 19 de marzo de 2009

lunes, 16 de marzo de 2009

viernes, 13 de marzo de 2009

jueves, 12 de marzo de 2009

miércoles, 11 de marzo de 2009

martes, 10 de marzo de 2009

a experiência


Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de trevas, aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do segredo
Eu, calmo, te direi: - Não tenhas medo
E tu, tranqüila, me dirás: - Sê forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.


Vinicius de Moraes in Soneto da hora final

domingo, 8 de marzo de 2009

martes, 10 de febrero de 2009

jueves, 5 de febrero de 2009

A afogada




Tu t'en vas à la dérive
Sur la rivière du souvenir
Et moi, courant sur la rive,
Je te crie de revenir
Mais, lentement, tu t'éloignes
Et dans ta course éperdue,
Peu à peu, je te regagne
Un peu de terrain perdu.
De temps en temps, tu t'enfonces
Dans le liquide mouvant
Ou bien, frôlant quelques ronces,
Tu hésites et tu m'attends
En te cachant la figure
Dans ta robe retroussée,
De peur que ne te défigurent
Et la honte et les regrets.
Tu n'es plus qu'une pauvre épave,
Chienne crevée au fil de l'eau
Mais je reste ton esclave
Et plonge dans le ruisseau
Quand le souvenir s'arrête
Et l'océan de l'oubli,
Brisant nos coeurs et nos têtes,
A jamais, nous réunit.

La noyée, de Serge Gainsbourg

miércoles, 4 de febrero de 2009

lunes, 2 de febrero de 2009

jueves, 29 de enero de 2009

martes, 27 de enero de 2009

sábado, 24 de enero de 2009

jueves, 22 de enero de 2009

cântico para enriquecer tua alma

a tua ausência é o rio divisor
que não passa em minha cidade
que não admoesta os vizinhos com as cheias e as vazantes
é o delta que existe lá no egito
e não tem vertente aqui
por isso, caro amor,o cântico se transforma em palavra mole que todo mundo diz
e não chega aos teus ouvidos
mas deixe que o rio do egito respingue no rosto teu
e que as águas murmurem para lá dos montes altos
e o cântico saia disfarçado
em música de rádio nos automóveis
é esta a ausência
que é tua, até ela
pois que nada há de meu num curso forte e desorientado que atravessa o egito

groenlândia

E repousou no teu corpo essas manchas de amores perdidos, amores traídos, amores congratulados e amores inventados e mornos, amores que queimam ao arder, amores que dão frio, amores de sempre, amores de iniciados, amores escuros, amores maduros e frouxos, amores enganados, ah, os primeiros amores - dessas manchas teu corpo ficou marcado, qual mapa geográfico. Depois, podia ver: aqui, a Ásia; mais abaixo, a África; e, num salto pra oeste e norte, a Groenlândia. Das zonas erógenas de teu corpo, contaste este segredo: qualquer coisa – dedo, língua, boca, braço, dente, fio de cabelo – te dava tesão bem ali, na Groenlândia, tesão de arrepiar o couro. E se ela soubesse a capital da Groenlândia diria que é justo no ponto que mais te dá de alucinar, na capital dessa misteriosa ilha. E deu de querer descobrir o nome da cidade do teu prazer, pegou o atlas geográfico do segundo grau e encontrou: a Groenlândia, capital Nuuk, é a maior ilha do mundo.

ela/ele

Ele vem seguro
E vencendo estrada e muro chega onde em sonho ela mora.
Inda tonto do que houvera, a cabeça em maresia,
Ergue a mão, encontra a hera
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.

Fernando Pessoa in Eros e psique

martes, 20 de enero de 2009

brutafêmea


20 01 09 17h51min


Há flores de cores concentradas

Ondas queimam rochas com seu sal

Vibrações do sol no pó da estrada

Muita coisa, quase nada

Cataclismas, carnaval

Há muitos planetas habitados


E o vazio da imensidão do céu

Bem e mal e boca e mel

E essa voz que Deus me deu

Mas nada é igual a ela e eu



Caetano Veloso in Ela e eu

lunes, 19 de enero de 2009