domingo, 4 de enero de 2009

Estrangeira

Página 1

"Caminhando hoje na Nilo Peçanha, o sol deu um tiro bem no minha testa. Bem nos cornos dela, como um dia escreveu o meu avô. Eu ouvia o Camelo no mp3, e como era outra a rua, a calçada, o céu, a praça, tudo tão distinto de Buenos Aires. Outro pó no asfalto, outra a cor do asfalto, dos táxis, e a preguiça dos motoristas. Caminhava rápido, tentando alcançar a velocidade dos que caminham em Buenos Aires, mas em Porto Alegre, fora os maratonistas, todos pareciam caminhar bem mais lento do que eu. É, estrangeira, com risos adentro, formigas adentro, corpo mole de noites assustadas, e um tambor como um trueno no lugar do coração.

É quatro de janeiro, dois mil e nove, o posto de gasolina está na mesma esquina redonda, é engraçado que aqui existam esquinas redondas. Meu casaco é turquesa, assim como minhas unhas. Conheci Emily Remler, quero aprender com ela.

É, estrangeira, aí que viste pela primeira vez tua fotografia, um corpo só, movendo-se.

E vá lá, nas excursões pelas noites clandestinas."

P deixou este livro na mesa ao lado da cama. Dos outros dois empilhados, leu uma que outra frase. Guardou. P se assusta com a noite que vem.

1 comentario:

Cínthya Verri dijo...

aaaaaaaaah
que silêncio quando te leio.